Parceria amiga permite boas relações inter-institucionais
Sem deixar de lado o compromisso e a eficiência profissional, o clima familiar na Fundação Terra Mirim nos dá a medida da confiança. Geneci e Zé Costa são parceiros antigos. Em suas falas e procedimentos, envolvem todas as características que um bom parceiro deve ter: sensibilidade, compromisso, eficiência, consistência.
Logo no início da visita, Geneci nos fez um convite peculiar: "respirem fundo porque este lugar aqui tem muita energia". Em seguida entrou na roda conosco para se apresentar. Se não informasse sua função, pensaríamos ser um trabalhador da Casa, tamanha era a sua familiaridade com o lugar. Geneci Braz é seu nome, engenheiro agrônomo é sua profissão. E é funcionário concursado pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA).
No seu caminhar conosco, sentíamos um paradigma se quebrar. Aquele do funcionalismo público descompromissado, frio, que vai a campo apenas com um olho técnico.
Este se relevou diferente. Foi com o olho técnico, sim, mas mediado pelo "terceiro olho", ou seja, sensível ao ambiente e aberto às pessoas que por ele transitavam naquele momento. Na palestra, contextualizou a profissão do agrônomo e as dificuldades encontradas desde a graduação para direcionar os conhecimentos rumo a uma atuação mais integrada à visão ambiental.
Dentre os problemas abordados, nos chamou a atenção a questão da fragmentação do conhecimento. Genesi contou que o curso de Agronomia se limita a transmitir os conhecimentos técnicos, voltados para a produção.
Sua fala revela que a experiência é a forma mais eficaz de mudar o paradigma do conhecimento científico moderno e mesmo o pós-moderno. "Quando começei a trabalhar com meio ambiente fui aos poucos percebendo a integridade das coisas", destacou Geneci. E seguiu destacando vantagens do Programa de Governo do Estado da Bahia para a gestão ambiental. "O novo governo está buscando a participação popular, integrando as possíveis redes de atuação para a gestão do meio ambiente".
Sua palestra seguiu fluida e objetiva. O engenheiro esclareceu procedimentos e termos técnicos relativos à criação e gestão de Áreas de Proteção Ambiental, especialmente no que diz respeito à APA Joanes-Ipitanga, que envolve os municípios de São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Dias D'Ávila, Candeias, Simõpes Filho, Camaçari, Lauro de Freiras e Salvador.
Na ocasião, Geneci aproveitou para divulgar uma cartilha com informações necessárias ao desenvolvimento do Conselho Gestor desta APA. Pedagógica e comunicativa, a cartilha é um dos instrumentos do Programa de Educação Ambiental que recentemente formou, via mobilização e articulação comunitária, o Conselho Gestor da APA Joanes-Ipitanga.
Em suas 25 páginas coloridas, a cartilha aborda aspectos naturais e sócio-econômicos dos oito municípios da APA. Com as informações básicas apresentadas de forma lúdica, o gestor da APA prentende instrumentalizar os atores sociais no processo contínuo de sensibilização para a tomada de decisões e ações rumo ao desenvolvimento sustentável da área.
Entretanto, os desafios ainda são grandes. Com uma equipe reduzida e pouco estruturada, fica difícil desenvolver um programa de educação e comunicação capaz de "deixar a APA na cabeça do povo", como pretende o gestor. Neste ponto, Geneci concordou com uma das questões levantadas pela turma. Como o Governo quer desenvolver uma educação ambiental eficiente e integrada se deixa de investir satisfatoriamente na valorização e formação especializada do professor das escolas públicas? Por falar nisso, quando teremos o resultado do REDA na Bahia?
Raquel Salama é graduada em Comunicação Social pela UFBA e integra a turma de especialização em Educação Ambiental da Faculdade de Educação.
domingo, 6 de maio de 2007
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